Renan Silva Loureiro tinha 20 anos quando foi baleado 4 vezes por assaltante disfarçado na Zona Sul. Acxel Peres foi identificado como suspeito pelo crime e é procurado pela polícia. g1 falou com a mãe e as tias da vítima: ‘Meu filho e outras vítimas não podem ser mais estatística’.
O jovem baleado por um falso entregador durante um roubo nesta semana na Zona Sul de São Paulo era universitário, trabalhava numa cafeteria e foi padrinho de casamento três dias antes de ser assassinado. O caso repercutiu nas redes sociais por causa da violência do crime vista nos vídeos que circulam na internet (veja abaixo).

Câmeras de segurança gravaram o momento em que o assaltante atira para o alto e Renan Silva Loureiro se ajoelha dizendo: “Eu não tenho nada”. O jovem se levanta em seguida, quando o criminoso aponta a arma para a namorada dele. Depois é baleado quatro vezes. Um dos tiros atinge sua cabeça e ele cai morto na Rua Freire Farto, no Jabaquara. Ele tinha 20 anos. “Socorro”, grita a garota, de 19 anos, no vídeo. Ela não se feriu.

O latrocínio, que é o roubo seguido de morte, ocorreu na noite da última segunda-feira (25). O criminoso, que usava capacete e mochila térmica, fugiu numa moto levando o celular da namorada de Renan. O bandido foi identificado como Acxel Gabriel de Holanda Peres, 23, e é procurado pela polícia. Até a última atualização desta reportagem, o suspeito não havia se entregado ou sido preso.

Mãe e tias pedem ‘justiça’

O g1 conversou com a mãe e as tias de Renan, que agora lutam por ‘justiça’, para que o assassino seja preso, julgado e condenado. “Quero que ele viva para cumprir a pena dele. Meu filho e outras vítimas não podem ser mais estatística”, disse a social media Clarice Silva, de 42 anos.

Elas contaram ainda que, na última vez que viram o estudante, ele estava feliz por cursar faculdade de administração de empresas na Unip e trabalhar numa das unidades da Starbucks.

“Renan sempre quis fazer tudo sozinho. Ele entrou neste ano na universidade. E estava trabalhando numa cafeteria onde era respeitado profissionalmente, tendo recebido convite até para assumir uma equipe”, falou a advogada Camila Garcia da Silva, de 42 anos, madrinha do rapaz. “Tão jovem e tão esforçado…”

Renan foi padrinho

Clarice Silva, mãe de Renan, usou sua rede social para escrever sobre o filho assassinado durante um assalto em São Paulo — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Clarice Silva, mãe de Renan, usou sua rede social para escrever sobre o filho assassinado durante um assalto em São Paulo — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Na sexta-feira (22) passada, ele foi padrinho de casamento da tia, a administradora Carolina Bongiovanni Garcia da Silva, de 45 anos. Renan participou da cerimônia ao lado da mãe, que foi madrinha.

“Foi meu padrinho de casamento. Na sexta sorrimos e na segunda choramos”, disse a tia Carol, como o sobrinho a chamava. “Eu fico emocionada porque tive o privilégio de estar com ele antes, e ele dividir comigo um momento tão especial para mim.”

Caso repercutiu entre políticos

Renan trabalhava na Starbucks; ao lado mensagem dele para uma das tias comentando sobre o trabalho — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Renan trabalhava na Starbucks; ao lado mensagem dele para uma das tias comentando sobre o trabalho — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

A morte de Renan também abriu o debate entre políticos, policiais e empresas de aplicativos sobre a implantação de medidas para tentar coibir a ação de assaltantes em motos que usam mochilas térmicas como disfarce para cometer crimes.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), e o novo delegado-geral da Polícia Civil do estado, Osvaldo Nico Gonçalves, se manifestaram.

Bolsonaro postou na sua rede social mensagens de solidariedade à família e a namorada de Renan. O presidente classificou o crime como “brutalidade” e pediu a prisão do assassino.

Garcia falou que vai convocar representantes de aplicativos de entrega, como iFood e Rappi, para debater crimes cometidos por falsos entregadores na região metropolitana de São Paulo.

Renan Silva Loureiro, de 20 anos, foi morto com 4 tiros num assalto gravado por câmera de segurança em São Paulo. Acxel Gabriel de Holanda Peres, 23, é suspeito pelo crime — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal/ Polícia Civil

Renan Silva Loureiro, de 20 anos, foi morto com 4 tiros num assalto gravado por câmera de segurança em São Paulo. Acxel Gabriel de Holanda Peres, 23, é suspeito pelo crime — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal/ Polícia Civil

O aumento nos crimes cometidos por falsos entregadores fez com que a a Associação de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP) procurasse a Secretaria da Segurança Pública em março para relatar o uso indevido das mochilas de aplicativo por criminosos disfarçados.

O número de roubos, furtos e homicídios cresceu no estado de São Paulo no mês de março, em comparação com o mesmo período de 2021, segundo os dados mensais da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Mochila de entrega e revólver encontrados na casa de suspeito de matar jovem em assalto, segundo a polícia — Foto: Polícia Civil/divulgação

Mochila de entrega e revólver encontrados na casa de suspeito de matar jovem em assalto, segundo a polícia — Foto: Polícia Civil/divulgação

Suspeito é procurado

Nico disse que o assassinato de Renan o “abalou muito”. E que as equipes policiais estão nas ruas para tentar prender o criminoso. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil chegou a divulgar a foto e o nome do suspeito para a imprensa. E pediu que quem tiver informações sobre Acxel pode ligar para o Disque-Denúncia pelo número de telefone 181. Não é preciso se identificar.

“Soube que eles [presidente, governador e chefe da polícia] comentaram a morte de Renan. Mas não pode ficar só nisso de politicagem, explorar a dor, e na semana que vem esquecerem o caso”, disse Clarice. “Por isso só tenho a agradecer ao Deic por ter identificado o assassino e estar atrás dele para prendê-lo”.

Policiais informaram ter ido até a casa de Alex, onde encontraram uma mochila e um revólver, que passarão por perícia (veja abaixo). A investigação quer saber se a arma apreendida foi a mesma usada para matar Renan. Ainda segundo a polícia, o suspeito já teve passagens criminais anteriores por porte ilegal de arma.

Filho defendeu namorada, diz mãe

Renan Silva Loureiro tinha 20 anos quando foi baleado e morto por um assaltante — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Renan Silva Loureiro tinha 20 anos quando foi baleado e morto por um assaltante — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

“Quando alguém sai com uma arma para roubar está disposto a tudo, e meu meu filho ajoelhado pedindo por favor, com as mãos para cima”, afirmou a mãe de Renan sobre o criminoso que matou seu filho.

“Vi várias vezes os vídeos porque queria entender o que aconteceu. Fico triste quando as pessoas querem colocar a culpa na vítima que reagiu. Quero reforçar que ninguém deve reagir. O bandido apontou a arma para a namorada de Renan, ele foi defendê-la e acabou baleado”, disse Clarice.
Renan morava com a mãe e o irmão mais novo. Foi o padrasto do jovem quem reconheceu o corpo do enteado. Ele aparece chorando em vídeo gravado pela TV Globo

O jovem que teve seus sonhos interrompidos por um criminoso acabou enterrado num cemitério na Lapa. Cerca de 250 pessoas acompanharam o cortejo.

Cerca de 250 pessoas participaram do cortejo a Renan Silva Loureiro no cemitério da Lapa, em São Paulo — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Cerca de 250 pessoas participaram do cortejo a Renan Silva Loureiro no cemitério da Lapa, em São Paulo — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

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