O mercado financeiro do Ceará acaba de alcançar uma marca histórica. Em março de 2026, o saldo das operações de crédito no estado atingiu R$ 163,7 bilhões, ultrapassando Pernambuco (R$ 163 bilhões) e assumindo a segunda posição no Nordeste, atrás apenas da Bahia, conforme dados do Banco Central.

Não é a primeira vez que o Ceará fica à frente: durante a pandemia, entre abril de 2020 e fevereiro de 2021, o estado chegou a superar Pernambuco pontualmente. Mas aquele movimento teve caráter conjuntural, influenciado pela dinâmica atípica do crédito naquele período. Agora, a ultrapassagem é estrutural.

A diferença entre as carteiras de crédito vinha se reduzindo de forma consistente: em setembro de 2022, Pernambuco estava R$ 5,7 bilhões à frente; em dezembro de 2024, a vantagem caiu para R$ 4,1 bilhões; em fevereiro de 2026, para apenas R$ 789 milhões. Até que, em março, o Ceará assumiu a dianteira.

A virada não se limita ao mercado de crédito. Na bolsa de valores, o Ceará também já está à frente. Segundo dados da B3 de abril de 2026, investidores cearenses acumulam R$ 11,02 bilhões aplicados, contra R$ 10,27 bilhões dos pernambucanos. O Ceará ocupa a 9ª posição nacional em volume investido, uma à frente de Pernambuco. São dois indicadores relevantes que, juntos, mostram a consolidação do Ceará como segundo maior mercado financeiro do Nordeste.

➡ QUEM PUXOU A VIRADA NO CRÉDITO?

A resposta está no crédito à pessoa jurídica. Nos 12 meses encerrados em março de 2026, o saldo de crédito empresarial no Ceará cresceu 14,3%, alcançando R$ 52,5 bilhões. Em Pernambuco, a expansão foi de apenas 5,5%, com saldo de R$ 46,3 bilhões. O Ceará já liderava nesse segmento e ampliou a diferença para R$ 6,2 bilhões.

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